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Governo federal segue sem garantir reajuste dos servidores para 2024

Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

Entidades fomentam paralisações em todo o país.

O governo “ainda não tem uma proposta de recomposição salarial consolidada”, disse o secretário do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, José Lopez Feijóo, em reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente realizada na última quinta-feira (16). Por enquanto, só há disponível o valor de R$ 1,5 bilhão para o incremento salarial dos servidores, que corresponderia a menos de 1% de reajuste em 2024.

A Pública Central do Servidor, através do presidente da Pública no DF, Vilson Romero, também participou da reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP) e destacou que sobre as pautas remuneratórias “estão sendo atendidas de forma muito lenta e, para que haja avanço nas negociações, é necessária a pressão e mobilização de todos os servidores.”

Há 21 mesas setoriais de negociação em funcionamento e entre as pautas atendidas está a restauração da licença para mandato classista, que permite que os servidores licenciados sejam mantidos na folha de pagamento da União. No que diz respeito ao pedido de revogação do Decreto 10.620, que trata da centralização no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) da União, o governo não atendeu parcialmente à reivindicação, ao suspender as ações decorrentes da medida presidencial do governo anterior, completou Romero.

Em resposta, Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Tipicas do Estado, disse que a paciência dos servidores está “esgotando” e que é inadmissível chegar ao final de 2023 sem uma proposta razoável.

Marques reconhece que houve avanços com a criação das Mesas de Negociação setoriais e permanentes, mas que, contudo, “o diálogo promovido nesses espaços deve ser efetivo, e não tratado como meio de protelação indefinida de soluções”.

A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores Em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) criticou a atitude do governo, que “não tem nenhum centavo para corrigir os salários em 2024”.– Os servidores intensificam a mobilização para pressionar os parlamentares e o relator do orçamento. E vão construir greve geral do funcionalismo Federal – disse Moacir Lopes, presidente da Fenasps.

Empurrando com a barriga? Essas entidades representativas do funcionalismo público federal acusam “letargia” do Executivo para que sejam discutidas medidas que viabilizem o reajuste salarial das categorias. Os representantes solicitam que sejam marcadas as rodadas pendentes das mesas setoriais ainda neste mês de novembro, com a garantia de haver contrapropostas do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).

As categorias também pedem que aposentados e pensionistas não sejam deixados de fora das propostas de reajuste, bem como sejam contempladas, pelas propostas do MGI, os tópicos sem impacto salarial que já foram objetos de acordos assinados.

E reajuste de 2024?

Há dois meses, o governo federal “ofertou” uma proposta de conceder 1% de reajuste aos servidores públicos do Executivo em 2024 de maneira simbólica. De acordo com o MGI, em reunião com as entidades representativas do funcionalismo, não foi fixada uma margem de correção salarial para o ano que vem. Ou seja, não houve, de fato, a apresentação de uma proposta real.

Segundo representantes da pasta, a explicação dada aos sindicalistas no encontro foi de que a ministra Esther Dweck teria conseguido reservar R$ 1,5 bilhão no Orçamento da União para a concessão do reajuste. Esse montante corresponderia a um aumento salarial de 1% para mais de 1,2 milhão de servidores, incluindo aposentados e pensionistas. A informação foi passada pelo secretário de Relações de Trabalho do MGI, José Lopez Feijóo.

O representante da MGI afirmou que, se o governo conseguir abrir espaço orçamentário, será possível ampliar a proposta. A estratégia governamental é usar o aumento de receitas do próximo ano para dar um reajuste mais robusto ao funcionalismo. As categorias, no entanto, veem com descrença a afirmação.

A MNNP esteve suspensa durante todo o governo de Jair Bolsonaro. Foi retomada neste ano e resultou na correção de 9% para os servidores federais em 2023, o que custou R$ 12 bilhões aos cofres públicos.Posição do ministérioEm nota, o MGI informou o seguinte:”Na reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente desta quinta-feira (16/11), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos prestou contas das ações do governo federal para atender demandas de valorização dos servidores públicos federais.

O Grupo de Trabalho Interministerial para elaboração de proposta de regulamentação da negociação das relações de trabalho no âmbito da Administração Pública Federal avançou nas discussões sobre proposta de regras para a aplicação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no país. Na reunião seguinte (8/11), o governo apresentou à bancada sindical diretrizes para negociações coletivas e direito à greve, que servirão de texto-base para projeto de lei a ser encaminhado ao Congresso Nacional. Na próxima reunião do GTI, prevista para 22/11, a bancada sindical fará a devolutiva das propostas apresentadas.

O Governo Federal também trabalhou para apresentar as regras para uso do cartão de benefícios em consignações de servidores.

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Gestão  e da Inovação Esther Dweck, assinaram o Decreto nº 11.761/2023, que regulamenta o cartão benefício para os servidores públicos federais. A norma publicada no dia 31/10  altera o Decreto nº 8.690, de 11 de março de 2016, que dispõe sobre a gestão das consignações em folha de pagamento no âmbito do sistema de gestão de pessoas do Poder Executivo federal.  

O novo decreto insere a hipótese de consignação para cartão consignado de benefício por força da promulgação, ocorrida em maio de 2023, do inciso II do parágrafo único do art. 2º da Lei 14.509, de 2022. Com a regulamentação por decreto, agora o Ministério da Gestão irá publicar portarias detalhando o funcionamento do cartão de benefício. 

Para regulamentar e colocar em prática o Decreto nº 11.761, o Ministério da Gestão publicou a Portaria MGI nº 7.142/2023, que estabelece as condições e os procedimentos relativos à gestão das consignações em folha de pagamento no âmbito do sistema de gestão de pessoas do Poder Executivo federal. A portaria, publicada no DOU de 13/11, detalha a utilização do cartão de benefícios nas operações de consignação para servidores públicos federais.

Outra ação importante do Ministério, no âmbito de discussões em Grupo de Trabalho, resultou no decreto que suspende a centralização da concessão de aposentadorias e pensões de servidores federais no INSS. O Decreto nº 11.756, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 26/10, suspende até 31 de dezembro de 2024 a centralização gradual das atividades de concessão e manutenção das aposentadorias e das pensões do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores da União no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A proposta de revisar a concentração, em um órgão ou entidade, da responsabilidade da gestão de aposentadorias e pensões dos servidores públicos federais civis foi discutida no âmbito da Mesa Nacional de Negociação Permanente, coordenada pelo MGI.

Mesa de Negociação Permanente

O Ministério da Gestão retomou o diálogo democrático com as entidades representativas para debater a situação das carreiras e ouvir os servidores através da reabertura da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), em fevereiro. A Mesa é um instrumento importante na democratização do Estado e das relações de trabalho do serviço público federal, como enfatizou na ocasião a Ministra Esther Dweck.

“Preocupar-se com os servidores é preocupar-se com os cidadãos brasileiros. Todos nós, servidores públicos, temos uma missão enorme com a população brasileira. Os servidores públicos que estão na ponta, que trabalham no dia a dia, são quem estão, de fato, fazendo a diferença para o povo”, afirmou a ministra Esther Dweck.

Com a retomada do diálogo, ainda nos três primeiros meses do ano, foi fechado o acordo para o aumento salarial linear de 9% para todos os servidores do Executivo Federal, e o aumento de 43,6% no auxílio alimentação. O reajuste no auxílio caiu na conta dos servidores no mês de maio e o reajuste salarial já se tornou realidade a partir do mês de junho.

O Ministério segue com a agenda de diálogos na Mesa de Negociação Permanente e realizou na tarde desta quinta-feira (16/11) mais um encontro para ouvir as demandas dos servidores públicos federais.

Somente no âmbito das mesas específicas e temporárias de negociação, o diálogo contínuo da pasta resultou em três acordos fechados para reestruturação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Agência Nacional de Mineração e da carreira de Desenvolvimento de Políticas Sociais.

A próxima reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente está prevista para ocorrer, ainda este ano, até o dia 15 de dezembro.”

Fonte: Extra

Comunicação/Cal/Pública/2023

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