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Orçamento é aprovado com dinheiro extra para programas sociais e infraestrutura

Senadores e deputados federais aprovaram, nesta quinta-feira (22), em sessão do Congresso Nacional, o Orçamento Público para 2023 (PLN 32/2022). O texto garante dinheiro extra para o pagamento do Bolsa Família de R$ 600 durante todo o ano que vem, para investimentos sociais (como o programa Farmácia Popular e o de merenda escolar) e investimentos em infraestrutura, em especial nas áreas de transporte e habitação popular. 

O projeto, que segue para sanção da Presidência da República, é o mesmo aprovado na Comissão Mista do Orçamento (CMO) mais cedo, na forma de texto substitutivo do relator-geral, o senador Marcelo Castro (MDB-PI). 

— Cumprimos com o nosso dever de parlamentares, de representantes do povo, de fazer aquilo que estava ao nosso alcance para dotar o país de um Orçamento exequível, razoável e que possa deixar o nosso país funcionando. A peça orçamentária que veio para esta Casa era uma peça absolutamente inexequível — afirmou Marcelo Castro.

Segundo o relator-geral, desde a criação do teto de gastos, em 2016, que limita o aumento dos gastos públicos, as despesas obrigatórias do governo federal vêm aumentando, mas à custa da diminuição dos investimentos.

O Orçamento já vem adaptado ao aumento em R$ 169 bilhões das despesas propiciado pela Emenda Constitucional 126 (resultante da PEC da Transição). Com o aumento das despesas, o déficit previsto para 2023 é de R$ 231,5 bilhões.

De acordo com Marcelo Castro, a promulgação da Emenda 126 possibilitou uma relativa folga orçamentária para aumentar os gastos previstos não só para o Bolsa Família, mas também para o Ministério da Saúde (R$ 22,7 bilhões a mais) bancar programas como o Farmácia Popular; para o Ministério da Educação (R$ 10,8 bilhões a mais) garantir ações como a merenda escolar. Haveria também R$ 3,7 bilhões a mais para o pagamento do Auxílio Gás.

— Todos nós sabemos a situação de penúria em que se encontram as nossas universidades, os nossos institutos federais, os recursos para merenda escolar. Nós vimos cenas dantescas de professor carimbando crianças que estavam merendando para não merendar de novo! E vimos cenas [com crianças] dividindo um ovo, pegando o ovo e dividindo, para uma criança comer uma banda do ovo e outra criança comer outra banda do ovo. Nós estamos no Brasil, uma das maiores economias do mundo! O terceiro maior produtor de alimentos do mundo! E não temos recursos para merenda escolar? É evidente que uma situação dessa seria inadmissível, inaceitável, e nós estamos corrigindo isso — declarou o relator.

O texto aprovado também prevê mais recursos para a área de infraestrutura (acréscimo de R$ 12,2 bilhões), com o objetivo de dar continuidade a obras que já estão em execução, como construção e reforma de rodovias e ponte; e para o programa federal de habitação popular (R$ 9,5 bilhões a mais). Ainda segundo Castro, a promulgação da PEC da Transição permitiu que fossem incluídos no Orçamento de 2023 mais recursos também para ciência, tecnologia, cultura, defesa, turismo, meio ambiente e segurança pública.

— Não é o ideal, mas é um Orçamento razoável, que vai fazer com que o próximo presidente da República possa tomar posse com seus ministros e com que o nosso querido país possa continuar funcionando. (…) um Orçamento minimamente exequível, que não era aquele que chegou aqui, que veio da equipe econômica. Peço a todos o voto favorável para que o nosso país possa continuar respirando — disse Marcelo Castro.

O Orçamento de 2023 foi aprovado com votos contrários dos partidos Novo e PSOL.

— As coisas aqui, apesar de serem feitas às claras — quando nós votamos aparece o voto no painel —, elas são muito mais de bastidores; os discursos são muito mais retóricos que verdadeiros. O que nós estamos aprovando aqui, e por isso o voto contrário do Novo, é um rombo nas contas públicas, um déficit de mais de R$ 200 bilhões, que vai empobrecer a nossa nação para satisfazer a ganância dos políticos — protestou o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS).

Emendas RP9

Em relação às emendas de relator, de R$ 19,4 bilhões, metade fica destinada para cinco ministérios: R$ 4,3 bilhões para o Desenvolvimento Regional; R$ 3 bilhões para a Saúde; R$ 1,8 bilhão para a Cidadania; R$ 416 milhões para a Agricultura; e R$ 169 milhões para a Educação. A outra metade será usada no reforço das emendas individuais dos parlamentares.

As emendas de relator (sob a rubrica RP9) ficaram mais conhecidas como “orçamento secreto” e foram derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão na segunda-feira (19). O direcionamento dos valores deverá ser feito pelo Executivo segundo a destinação prevista. 

Para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a prioridade é garantir recursos para o combate à fome e à miséria e para saúde, educação, infraestrutura e segurança. Ele declarou que “as emendas de relator RP9 não existem mais”, e que Legislativo e Executivo conseguiram chegar a um resultado que busca garantir também a qualidade do gasto público.

— Nós não podemos permitir que no Brasil nós tenhamos 33 milhões de pessoas passando fome. O que não pode faltar é recurso para aquilo que importa ao Brasil: nós precisamos ter recursos para saúde, educação, infraestrutura, segurança — disse ele em entrevista após a votação.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) ressaltou que seu partido votaria contra o Orçamento de 2023 por entender que o texto não estava adequado à decisão do STF pelo fim das emendas de relator.

— Isso é uma tentativa de maquiagem sobre uma decisão do Supremo Tribunal Federal. (…) Isso é um absurdo, porque passa por cima de uma decisão votada pelo Supremo — criticou a deputada.

Saúde, educação e salário mínimo

Marcelo Castro informou que as ações de educação terão no total R$ 130,6 bilhões. Desses valores, R$ 40 bilhões são destinados ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). 

Já as políticas de saúde, segundo Castro, terão R$ 173,1 bilhões. Do total de gastos com saúde, R$ 19,6 bilhões virão das emendas do relator-geral, das bancadas estaduais e individuais dos parlamentares.

O Orçamento para 2023 prevê também o reajuste do salário mínimo dos atuais R$ 1.212 para R$ 1.320.

Bolsa Família

O texto original da proposta orçamentária, enviada pelo governo Bolsonaro, não contemplava o reajuste no Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família em 2023) para se manter o valor pago até dezembro de 2022 (de R$ 600 por família). Agora, com o Orçamento alterado, isso garante o Bolsa Família de R$ 600 durante todo o ano de 2023, mais um pagamento adicional no valor de R$ 150 mensais por criança de até seis anos.

O texto aprovado pelo Congresso e que vai à sanção inclui a margem fiscal de R$ 169,1 bilhões relativa ao teto de gastos, aberta pela Emenda Constitucional 126 para pagamento de benefícios sociais. No total, R$ 145 bilhões são referentes ao aumento no próprio teto de gastos; R$ 23 bilhões referentes à retirada de investimentos do teto; e R$ 1,1 bilhão referente à retirada de outras despesas custeadas com recursos provenientes de receitas próprias, especialmente por parte de universidades e institutos federais (IFs).

Segundo o texto aprovado, manter o benefício de R$ 600 implicará um gasto extra de R$ 52 bilhões, com mais R$ 18 bilhões para o adicional por criança de até seis anos. Ou seja, só o aumento do Auxílio Brasil/Bolsa Família custará R$ 70 bilhões em 2023. Quanto ao salário mínimo, o presidente Bolsonaro editou medida provisória fixando o valor em R$ 1.302. A Consultoria de Orçamento do Senado afirma que não houve ganho real, só a reposição da inflação. Caso o mínimo suba a R$ 1.320, como previsto por Marcelo Castro, o aumento nas despesas será da ordem de R$ 6,8 bilhões. 

Emendas parlamentares 

O Orçamento de 2023 também contempla a destinação de metade das emendas RP9 para emendas individuais dos parlamentares, que passam de R$ 11,7 bilhões para R$ 21,5 bilhões.

O valor global também cresceu: de 1,2% da receita corrente líquida para 2%. Mas a divisão não será mais igualitária entre senadores e deputados federais. A Câmara ficará com 77,5% do valor global das emendas individuais; o Senado, com 22,5%. Como os deputados são 513, o valor individual será de cerca de R$ 32 milhões em 2023. Para os senadores, será de cerca de R$ 59 milhões.

Marcelo Castro aumentou em R$ 1,5 bilhão os recursos para emendas parlamentares de execução não obrigatória no Orçamento para 2023. 

Metade dos recursos das emendas individuais obrigatórias deve ir para o Ministério da Saúde, para completar o orçamento mínimo desse setor estabelecido pela Constituição.

Segundo o texto aprovado, foram apresentadas 6.576 emendas individuais e coletivas, sendo 5.104 de deputados, 870 de senadores, 422 de bancada estadual e 180 de comissão. O montante para custear essas emendas é de R$ 28,7 bilhões.

Dívida pública

O valor total das receitas previsto para 2023 é de aproximadamente R$ 5,345 trilhões, dos quais cerca R$ 2,010 trilhões são destinados ao pagamento dos juros e encargos da dívida pública federal e em torno de R$ 213,9 bilhões vão para investimentos. Dos cerca de R$ 3,191 trilhões restantes, 94% devem ser usados para pagar despesas obrigatórias.

O relatório da receita, aprovado na Comissão Mista de Orçamento (CMO) na semana passada, incluiu a arrecadação da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, no valor de R$ 1,2 bilhão, que havia sido excluída pelo projeto do governo federal. Mas esse valor, por causa do teto de gastos, só pode ser usado para abater a dívida pública.

2019 (Emenda Constitucional 103 e Lei 13.954, de 2019). Os analistas ressaltam que neles não estão incluídas as despesas com militares inativos, que devem alcançar 0,54% do PIB em 2023, percentual inferior ao que se projeta para 2022 (0,57% do PIB).

As despesas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) estão estimadas em aproximadamente R$ 862,3 bilhões. As receitas estão estimadas em cerca de R$ 595,1 bilhões. O resultado é um déficit de mais R$ 260 bilhões.

Essas projeções estão baseadas num crescimento do número de aposentados de 1,96% e numa estimativa do INPC para 2022 de 7,41% (as aposentadorias são reajustadas pelo INPC).

Pessoal e encargos sociais

O texto aprovado prevê R$ 369,4 bilhões para gastos com pessoal e encargos sociais, um aumento de 8,3% em relação ao autorizado para 2022, portanto acima da inflação, se considerado um IPCA de 7,2% para este ano. As despesas com pessoal em 2023 alcançarão 3,5% do PIB, mesmo percentual estimado para 2022 e o mais baixo desde 2001. Estão previstos R$ 13,3 bilhões para reajustes de salário, concessões de vantagens e planos de carreira.

Investimentos

O valor dos investimentos, exceto o das estatais, passou para R$ 70,4 bilhões. A proposta do Executivo previa R$ 22,4 bilhões. As estatais federais deverão investir R$ 143,5 bilhões, um aumento de 48,7% em relação aos valores propostos para 2022.

Royalties do petróleo

O Orçamento de 2023 prevê a arrecadação de aproximadamente R$ 89,8 bilhões com a exploração de petróleo. Os recursos serão transferidos para estados e municípios (cerca de R$ 54,1 bilhões), para o Fundo Social (cerca de R$ 12,1 bilhões) e para os ministérios da Educação (cerca de R$ 15,1 bilhões), de Minas e Energia (cerca de R$ 3,0 bilhões), da Defesa (cerca de R$ 2,3 bilhões), da Ciência e Tecnologia (cerca de R$ 1,6 bilhão), do Meio Ambiente (cerca de R$ 638,2 milhões) e da Saúde (cerca de R$ 945,2 milhões).

Precatórios

Cerca de R$ 65,6 bilhões do Orçamento de 2023 deverão ir para o pagamento de sentenças judiciais — a maior parte deve ir para os chamados precatórios (R$ 17,6 bilhões) e as requisições de pequeno valor (RPVs – R$ 26,2 bilhões).

Financiamentos

A União deverá gastar R$ 49,7 bilhões em financiamentos em 2023, valor próximo ao executado em 2019 atualizado pelo IPCA. A proposta para 2023 prevê 26 ações, sendo que nove delas correspondem a 87% do total.

Os maiores recursos serão distribuídos aos fundos constitucionais de financiamento do Nordeste (FNE), do Centro-Oeste (FCO) e do Norte (FNO); ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies); ao financiamento do agronegócio do café; e às infraestruturas aquaviária, portuária e naval.

Obras irregulares

O texto aprovado pelos congressistas contempla dois empreendimentos com indícios de irregularidades graves: o trecho da BR-040 para a subida da Serra de Petrópolis (RJ) e a concessão do trecho da BR-290 entre Osório (RS) e Porto Alegre. 

Fonte: Agência Senado

Comunicação/Cal/Pública/2022 

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