Em vez de buscar autossuficiência energética o Brasil fica mais dependente de importações.

Mesmo aumentando a extração de petróleo do Pré-sal em 2021, a dependência do Brasil na importação de produtos derivados se tornou ainda maior.

Entre janeiro e abril de 2021, cerca de 55% do petróleo refinado no Brasil teve origem no Pré-sal brasileiro. Nesse período, a companhia ultrapassou a marca de 2,87 milhões de barris processados diariamente.

O problema é que o aumento na produção não está necessariamente contribuindo para atender as demandas do consumo interno de combustíveis no Brasil.

Com o crescimento do preço do barril de petróleo a partir de dezembro de 2020, a opção do governo tem sido pela venda no mercado internacional (cujos benefícios oscilam de acordo com a cotação do dólar e com a oferta e demanda).

Por outro lado, qualquer instabilidade em países produtores (inclusive guerras) mexe com o preço do barril e pode prejudicar os países que estão muito dependentes dessa venda (como tem acontecido com o Brasil, por escolha do governo de Jair Bolsonaro).

Combinado com a redução do refino no Brasil, o foco na venda do petróleo cru é uma política arriscada e pode ser muito prejudicial à Petrobras, já que em 2020, no começo da pandemia de Covid-19, a estatal perdeu metade de seu valor de mercado justamente por estar fragilizada por esse tipo de escolha.

Venda de refinarias só atende o mercado internacional

Cerca de 7 refinarias ainda estão na mira do governo Bolsonaro para venda. No primeiro semestre de 2021, a refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, foi vendida e é alvo de investigações. Ela foi comprada por US$ 1,65 bilhão mas, segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás (INEEP), seu valor de mercado estaria entre US$ 3 e US$ 4 bilhões.

Ao se desfazer desses ativos (vendidos a preço de banana) o governo reduz a capacidade da Petrobras produzir combustíveis para atender as demandas internas. Com isso, aumenta sua dependência de derivados de petróleo vindo de fora, o que acaba por atender somente aos interesses de multinacionais estrangeiras e das empresas importadoras.

Se o governo Bolsonaro permitisse que a Petrobras aumentasse o nível de utilização das refinarias e preservasse seu patrimônio, a empresa poderia reduzir as significativamente a necessidade de importação do nosso país.

Mesmo que dê lucro, esse caminho é perigoso

O foco na venda de óleo cru pode até ser mais lucrativo para os acionistas da Petrobras, mas afeta o preço dos combustíveis para os brasileiros e, ainda, disfarça o desmonte da estatal, juntamente com a venda de refinarias e de outros ativos.

Mas essa postura condena o brasileiro a pagar duas vezes: nos preços altos e no desemprego gerado por este tipo de política, que também privilegia interesses internacionais.

A Petrobras é estratégica para a economia do país.

Por isso, é preciso interromper com urgência esse caminho que cria dependência e gera ainda mais pressão no bolso das famílias brasileiras, aprofundando o desemprego e encarecendo toda uma variedade de produtos derivados do petróleo.

Fonte: Com a Petrobrás o Brasil tem futuro. 

Comunicação/Cal/Pública/2021 

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