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A Armadilha dasReformas – Ninguém lembrou de te avisar

Data da Publicação: 13/07/2017

Ogib Teixeira de Carvalho Filho, Presidente da Fenafirc e Vice-Presidente Executivo da Pública

O Brasil caiu numa armadilha planejada pelo setor econômico-financeiro externo enganando o interno: os empresários brasileiros compraram gato por lebre, e vão pagar caro por isso. Dinheiro não tem coração, tem ambição. O País pode virar, de uma hora para outra, no mínimo, uma Grécia, mas pode ser uma Síria ou algo parecido. Abrimos as portas para a economia internacional sem questionamentos, sem cláusulas de proteção, visando somente o lucro de alguns, muito bem pagos. Uma trama que se repete por todo o mundo: cai país por país cujos filhos são fracos, ambiciosos e vendidos. Funciona. Todos são comprados com promessas de enriquecimento rápido e depois deixados ao sabor do mercado. A maioria vai quebrar e, só então, entender o que falo.

Não se faz combate a desemprego sem uma economia forte, sem renda alta, sem crescimento de consumo e produção, e o pressuposto para o sucesso de tudo isso é a boa educação. Não preenchemos esses requisitos.

As reformas aprovadas ou em discussão: previdenciária e trabalhista, passam ao largo das reformas mais necessárias: reforma da educação, saúde, segurança, política e tributária. Essas não foram colocadas como prioridades.

Na contra mão, enfraqueceram o sistema sindical que poderia ser usado na discussão e no equilíbrio de interesses no direcionamento das discussões. O favorecimento ao ponto de vista dos devedores empresários, sobrecarregados pelo custo Brasil, foi um equívoco. O mercado vai falar mais alto. O trabalhador e o servidor público não foram os culpados pela situação pela qual o Brasil está passando.

As reformas foram empurradas goela abaixo de um Congresso fraco, incapaz de resistir, de propor alternativas, que não representa nem povo nem o trabalhador, que só olha para o próprio umbigo, com parlamentares negociando cargos, empregos estatais, liberação de emendas, e suas dívidas de impostos e de contribuições, de um Congresso com muitos de seus membrosfinanciados e comprometidos com bancos e outras instituições financeiras, de saúde, de fundos de pensão, com processos judiciais em andamento, que lá chegaramsem representação popular nenhuma, apenas por manobras políticas e coligações.

Do outro lado, a credibilidade está tão abalada, que o “País do futuro” tem um chefe do Poder Executivo, cercado por muitos auxiliares comprometidos com a justiça e com níveis de aceitação muito baixo, maltratado pela mídia, gastando milhõesem recursos públicos para provar sua inocência e para convencer o povo de que as reformas são imprescindíveis. Ninguém se esforçaria tanto se osacrifícionão estivesse à altura dointeresse; ninguém se comprometeria ao ponto que o presidente se compromete. Isso, por si só, já coloca em dúvida toda argumentação de inocência ou de necessidade das reformas apresentadas.

É preciso destacar que não se ouviu nenhuma palavra sobre a extinção da previdência pública em consequência da transferência de renda para o setor financeiro e para os fundos de pensão que as reformas vão produzir. Também, ninguém fala que estamos no transcurso da mais violenta transferência de renda que um governo já produziu, intencionalmente, do trabalhador para o sistema financeiro. Ninguém avisou ao povo que o setor privado é regido pelas leis de mercado, com responsabilidade limitada, que os receptores dos recursos estarão são pessoas jurídicas de direito privado, que podem falir. Também, ninguém lembrou de informar quantos bancos e instituições previdenciárias, que não contavam com recursos públicos, existiam há 30 anos e quantas existem, hoje, ninguém lembrou de dizer o que aconteceu com as pessoas que dependiam desses recursos para aposentar; ninguém lembrou de falar sobre o resultado dessas reformas no Chile e no México e quantos os aposentados recebem hoje. Ninguém lembrou do povo.